1 de dez de 2015

Mulheres ainda sofrem cobranças (e se cobram) para casar e ter filhos

Desde crianças, as meninas são induzidas a acreditar que a natureza da mulher é procriarDesde crianças, as meninas são induzidas a acreditar que a natureza da mulher é procriar
Embora os papéis femininos tenham passado por transformações relevantes nas últimas décadas, as mulheres que não se casam e/ou não têm filhos continuam a ser cobradas por isso, como se essas fossem funções obrigatórias para todas. E, dessa forma, quem não as assume, por opção ou outros fatores, parece estar renegando a própria natureza. Por que esse tipo de cobrança ainda acontece?
Uma das razões é que há um padrão de comportamento feminino desejado que, mesmo ultrapassado, ainda é fortemente arraigado. "A visão cultural sobre o papel das mulheres na família e na sociedade ainda é o do passado", afirma Jacira Vieira de Melo, militante feminista desde os anos 1970, especialista em comunicação social e política na perspectiva de gênero e raça e diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, de São Paulo (SP).
Na opinião da psicóloga Lígia Baruch Figueiredo, mestre e doutoranda em Psicologia pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), onde também é pesquisadora no Núcleo de Família e Comunidade, argumentos pouco aprofundados e repetidos automaticamente falam que a "natureza da mulher é procriar".

As mulheres sofrem pressão para casar e ter filhos?

"Segundo esses argumentos, uma mulher que não casa e não tem filhos foge à sua natureza. Se não pode ter filhos, é uma coitada; caso não queira, é fria", explica a especialista. Porém, a cobrança social também é internalizada, e a pessoa acaba cobrando de si mesma atender a expectativas que, muitas vezes, não correspondem a seus desejos.
A sociedade ainda espera que a mulher ocupe as funções tradicionais. "Mesmo que  trabalhe fora, deve colocar em primeiro lugar o cuidado com a família. Ela sempre terá de se sacrificar ou a seu trabalho em prol do lar", diz Lígia.
Para Mary Del Priore, docente na pós-graduação em História da Universidade Salgado de Oliveira, no Rio de Janeiro (RJ), como nossa base cultural vem dos portugueses, prezamos valores da igreja católica. "A mensagem dessa herança é clara: a família deve ser o projeto de vida mais importante", diz ela, que é autora de 37 livros, entre os quais "História das Mulheres no Brasil" e "História do Amor no Brasil", ambos pela Editora Contexto.
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