23 de out de 2014

ATIVIDADE DE LAZER E SOCIALIZAÇÃO

Nesta secção dar-lhe-emos algumas indicações para a ajudar a tomar decisões sobre como gerir os momentos de lazer do seu filho, como tentar evitar os ciúmes entre irmãos e outros aspetos importantes da sua sociabilização.








 


Sabia que, segundo o Projeto Etapas…?


O estudo por género mostra que os meninos preferem brincar com as bolas e os automóveis e as meninas com as bonecas. As bonecas e os bonecos são os brinquedos preferidos na etapa dos 6 aos 7 anos, embora as bonecas estejam muito presentes a partir dos 3 anos de idade. .

Em média, as crianças dos 6 aos 7 anos dedicam, durante a semana, 2 horas e meia por dia a ver TV e, aproximadamente, 1 hora a jogar no computador ou outros jogos eletrónicos, por isso, em média passam um total de 3 horas e meia diárias em frente a um ecrã de TV ou de computador. É recomendável que a criança não exceda, ao todo, as 2 horas diárias (incluindo os fins-de-semana) na exposição a ecrãs.

As atividades que representam maior dificuldade para as crianças em fazerem-nas sozinhas sem ajuda são, por ordem, as atividades de "Ver as horas num relógio analógico ou de ponteiros", "Lavar o cabelo" e "Atar os cordões". No entanto, "Lavar as mãos", "Lavar os dentes" e "Limpar o rabinho" depois de irem ao WC são as atividades que realizam em maior proporção sem a ajuda de um adulto ou sem a sua supervisão. 

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Que actividades extra-curriculares são adequadas a cada idade da criança?

É importante incentivar a criança a realizar atividades extra-curriculares, já que isto amplia os seus horizontes e facilita a sua socialização. No entanto, convém ter cuidado com a programação de demasiadas atividades nas horas de que a criança dispõe fora da atividade escolar.

É absurdo tentar definir um horário extra-curricular que englobe: ténis, artes marciais, ballet, música, idiomas, etc., pretendendo criar um "super-homem" ou uma "super-mulher", sem ter em conta o interesse e os gostos da criança, que, muitas vezes, não vão coincidir com o projeto dos pais. É por isso que devemos ser razoáveis e promover as atividades extra-curriculares que a criança decida, onde se encontre mais cómoda e feliz, informando-nos relativamente à sua idade e às suas características anatómicas e fisiológicas. 

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Quantas horas por semana deve uma criança dedicar às atividades físicas?

Não é possível definir um número de horas semanais de atividade física. Provavelmente, a melhor resposta é "o maior número possível". O exercício físico é, sem dúvida alguma, fundamental para um crescimento e um desenvolvimento normais, não só do ponto de vista físico como psicológico. Como dissemos anteriormente, o melhor é as crianças irem para a cama esgotadas depois de um dia cheio de vivências, aprendizagem e contacto com outras crianças, no qual as brincadeiras e o exercício físico sejam os protagonistas. 

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É normal que a criança seja mais feliz a brincar com um pau ou com algo que encontre pela casa do que com um brinquedo?

Sem dúvida, o que nos permite fazer os adultos compreenderem que a criança está constantemente a trabalhar a sua imaginação e que é possível que um "traste velho" lhe desperte uma curiosidade e um interesse que o brinquedo mais sofisticado não despertará 

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É normal a criança gaguejar ao construir as frases?

Muitas vezes, o gaguejar inicial aos 2-3 anos faz parte do processo de aprendizagem. Se persistir ao longo do tempo, devemos consultar o pediatra, que, caso considere oportuno, dará o contacto de um terapeuta da fala para que este avalie o problema e a aconselhe. 

Como se pode ajudar a criança a vencer a sua timidez?

A timidez é relativamente frequente nas crianças e o seu aparecimento pode ser muito precoce, ao fim do primeiro ano de vida. Pode ser de tipo familiar mas também tem um componente ambiental. Na verdade, podem existir diferentes graus de timidez entre irmãos. Todas as crianças e adolescentes apresentam manifestações próprias de timidez em algum momento da sua vida. A melhor forma de vencer a timidez é promover o contacto da criança com outras crianças da sua idade e com pessoas mais velhas, o que as torna mais espontâneas e mais soltas e ajuda-as a fortalecer a sua autoestima. É importante procurarmos evitar a timidez nos nossos filhos. 

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Como podemos evitar os ciúmes entre irmãos?

É frequente, e até lógico, que existam ciúmes entre irmãos e que uma criança se sinta deslocada pela chegada de um irmão mais novo. Este sentimento é perfeitamente compreensível, já que a criança que, até ao momento, era a "rainha da casa", sente-se destronada ou tem de partilhar o seu reino (no melhor dos casos) devido à chegada de um irmão.

A fim de evitar esta situação, é necessário prevê-la com suficiente antecedência, antes do nascimento do "concorrente". Há que ir procurando pedir ajuda e colaboração à criança, dizendo-lhe que vai nascer um irmãozinho, mas que será muito pequenino e que todos vão ter de o ajudar a crescer, sobretudo ele, porque é mais velho (por mais pequeno que seja, será sempre mais velho). Temos que procurar a sua cumplicidade, já que o seu irmão precisa que o alimentem, que lhe dêem banho, que cuidem dele, que lhe mudem de roupa, etc. e ele deverá assumir um papel em parte dessas funções. Assim, tentaremos fazer com que a sua atitude mude e se torne um protetor e cuidador do seu irmão mais novo, que, sem ajuda, não poderia desenrascar-se. Com um pouco de imaginação e diplomacia solucionaremos esta situação, que acabará por ser muito gratificante para todos.

Como devemos comunicar com os nossos filhos?

Não é fácil responder a esta pergunta. Comunicar é, definitivamente, educar, e não há dúvida de que educar uma criança é "a arte das artes". É necessário que os pais exerçam a sua autoridade e disciplina sem serem autoritários. Há que estabelecer limites e regras lógicas e sensatas, pois isto cria um ambiente de segurança para a própria criança. Os pais devem ser consequentes e honestos nas suas exposições e nos seus atos. Têm que dar o exemplo com o vosso comportamento, respeitando-se mutuamente e resolvendo as vossas discordâncias em privado, para que os vossos critérios e ações não sejam contraditórios. Devem ensinar os vossos filhos a serem verdadeiros, a não mentirem, a serem responsáveis, mas, para tal, têm que educar com o exemplo diariamente.

Só podemos comunicar positivamente com os nossos filhos com firmeza, segurança e o bom exemplo, imbuindo tudo isso de respeito e de um imenso amor. Só mantendo este compromisso, nem sempre fácil, manteremos a coesão familiar e o amor e respeito dos nossos filhos, embora possam existir períodos ou fases em que pareçam ter desaparecido. Quando as bases são sólidas, os filhos acabam por manter e fortalecer essa comunicação, que é a essência da unidade familiar.

Há pais que afirmam e estão convencidos de que são "amigos dos seus filhos". Pessoalmente, penso (professor Afonso Delgado) que os pais nunca podem ser amigos dos filhos, já que a sua própria relação transcende e ultrapassa o conceito extraordinário da amizade, pelo qual sinto um enorme respeito. As relações entre pais e filhos são obrigatoriamente verticais, enquanto que as amizades são, por definição, horizontais e, portanto, diferentes, como diferente é o amor que uma mãe sente pelo seu filho daquele que o pai sente (não quer dizer que seja superior).

O professor Alfonso Delgado foi membro da Associação Espanhola de Pediatria e foi o investigador principal do Projeto ETAPAS. O estudo foi supervisionado pelo Comité Deontológico da AEP.

A conduta das crianças no caso de pais separados é motivo de preocupação?

Na nossa sociedade, as separações e os divórcios são cada vez mais frequentes. Se as coisas não forem feitas corretamente e se o interesse dos filhos não for tido em conta, estas situações podem, sem dúvida, ser extremamente dramáticas para eles.

É necessário transmitir aos filhos que, apesar dos pais planearem deixar de viver juntos, eles continuam a ser a coisa mais importante das suas vidas e vão continuar a dar-lhes o seu carinho e proteção, para evitar que se sintam desamparados.

É fundamental que nenhum dos pais fale mal do outro progenitor na frente da criança, mesmo no caso de comportamentos objetivamente irresponsáveis. Há que proteger a estabilidade psicológica da criança para que supere da melhor maneira possível a rutura do casal, sem acrescentar novas e mais graves situações de discordância, desamor e conflito.


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