13 de mai de 2014

Saiba como criar um filho feliz

O que faz uma criança feliz? A resposta pode surpreender a maioria dos pais. Segundo especialistas em desenvolvimento infantil, felicidade não é algo que se possa dar a um filho como se fosse um presente. Pelo contrário.

Na realidade, diz o psiquiatra Edward Hallowell, autor de The Childhood Roots of Adult Happiness, crianças mimadas demais ou poupadas de todo tipo de desconforto emocional têm mais chances de virar adolescentes chatos, cínicos e descontentes.

"O mais significativo para a felicidade são fatores internos, não externos", afirma Hallowell. Ele salienta que o importante é ajudar a criança a desenvolver ferramentas internas para se equilibrar, ferramentas com as quais ela possa contar pela vida inteira.

A boa notícia é que não é preciso ser especialista em psicologia infantil para cultivar no seu filho a força interior e a sabedoria de ele vai precisar para aguentar os trancos e barrancos da existência. Com paciência e flexibilidade, todo pai e toda mãe possuem mecanismos para formar a base de uma vida de cheia de felicidade para os filhos.

Saiba interpretar os sinais

À medida que a criança passa de recém-nascida a um bebê mais interativo de 6 meses, ela se torna mestre em expressar para você quando alguma coisa a está deixando alegre ou aborrecida. Por exemplo, o rosto dela se abre em um enorme sorriso ao ver você entrar, ou se contrai em um choro inconsolável quando alguém leva um brinquedo embora.

Você também já deve ter reparado como o bebê passa da alegria à tristeza em um piscar de olhos.

De acordo com a neurocientista pediátrica Lise Eliot, bebês são instáveis assim porque o córtex cerebral, que controla as respostas automáticas do corpo, mal começou a funcionar. Com o passar dos anos e o desenvolvimento dessa parte do cérebro, a criança conseguirá controlar melhor suas emoções e comportamentos.

E, se você tem a sensação de que seu filho passa mais tempo chorando do que rindo, isso se deve ao fato de os bebês desenvolverem primeiro a capacidade de experimentar o estresse -- antes da felicidade. Choro e expressões faciais de tristeza existem por um bom motivo, explica Lise. Eles servem como sinal de socorro para que os responsáveis pela criança consertem o que quer que esteja errado.

Mas, se o bebê está chorando, como saber se é porque sente dor, fome ou simplesmente tédio? "A sensibilidade da mãe geralmente consegue detectar os diferentes tipos de choros e expressões faciais", afirma Paul C. Holinger, professor de psiquiatria do Centro Médico Rush-Presbyterian-St. Luke, nos Estados Unidos. "As sobrancelhas, a boca e as vocalizações são sistemas de sinalização do bebê."

Um bebê com algum desconforto físico vai chorar com os cantos da boca virados para baixo e as sobrancelhas arqueadas no meio. Quando o problema é raiva, o rosto do bebê fica vermelho, as sobrancelhas viram para baixo, o maxilar fecha, e ele grita feito um animalzinho.

A maioria dos pais reconhece um bebê que se irrita fácil ou que é medroso, mas, segundo Holinger, muitos não percebem que a raiva às vezes provém de situações desagradáveis do ambiente. "Se há um barulho mais alto ou uma luz mais forte, a criança vai mostrar sinais de medo. Se o barulho ou a luz continuarem, o sentimento vira raiva", diz o professor.

Seu filho provavelmente tem seu próprio jeito de mostrar quando está bem ou não. Algumas crianças choram, outras ficam mais apegadas e carentes. Com o passar do tempo, você vai entender cada vez mais o temperamento do seu filho e aprenderá a reconhecer os sinais de quando alguma coisa está errada.

Abra espaço para a diversão

Embora um móbile bem colorido ou o gostinho de uma papinha doce possam fazer o bebê sorrir, o que o faz realmente feliz é bem mais simples: você.

"Conecte-se com o bebê, brinque", aconselha o doutor Hallowell. "Se você estiver se divertindo, ele também estará."

O ato de brincar produz alegria, mas a brincadeira é também a maneira como as crianças desenvolvem as habilidades necessárias para a felicidade futura.

À medida que crescem, aquelas brincadeiras não-direcionadas fixa permitem às crianças descobrirem as atividades de que mais gostam: construir torres, aviões ou casas com blocos, misturar "poções" com ingredientes da cozinha, pintar com tinta, rolar uma bola, fantasiar-se, brincar de faz de conta.

Muitas vezes essas brincadeiras acabam levando a atividades profissionais extremamente prazerosas na vida adulta.

Lembre-se de que brincadeira não quer dizer inscrever a criança na aula de música, de esportes ou outras tarefas "enriquecedoras". Brincar significa deixar uma criança inventar, criar e sonhar acordada para ajudar a desenvolver seus próprios talentos e descobrir seus interesses sem interferência exte
Postar um comentário