29 de abr de 2013

Filho dependente dos pais, briga entre irmãos e como falar de sexo


Meu filho é ótimo, muito carinhoso, simpático e inteligente.
Mas com a mesma proporção que ele cresce fica mais carente. Fiz no quarto dele um espaço só para diversão, colorido e cheio de brinquedos, não só pra que ele se divirta e aprenda, mas também para que seja um pouco mais independente e eu ganhe um pouco mais de tempo para outras atividades. O problema é que ele não fica nem cinco minutos sozinho. Agora que engatinha, além de reclamar, sai do quarto atrás de mim. Por muitas vezes eu sento com ele pra brincar, mostro como os brinquedos funcionam, entro na brincadeira dele. Mas ele não fica satisfeito com a minha presença, quer vir pra cima de mim e trazer os brinquedos. Por mais que eu tente apresentar novas atividades, ele quer colo ou qualquer tipo de contato físico o dia inteiro. Eu pensei que esse comportamento melhorasse com o crescimento, mas está intensificando e eu não sei o que fazer. Estou me dedicando apenas a ele, não estou trabalhando. Mas mesmo em casa eu gostaria de voltar com minhas atividades e ter os dias menos cansativos. Será que estou errando em alguma coisa ou devo tomar alguma atitude?
Deborah Motta, 26 anos, mãe de Miguel, 8 meses
T.Z.: Seu filhinho parece estar apenas evoluindo e ganhando independência, apenas isso. Aprendeu a engatinhar e quando estiver andando, vai lutar por mais espaço ainda. Quando bebê ficava na caminha ou no carrinho - porque nada sabia exigir. Agora está começando a abrir seus horizontes e é natural que não queira ficar ilhado no quarto, ainda que seja atraente. Demonstra afetividade saudável o fato de ele mostrar que prefere ficar com você a ficar sozinho num espaço restrito. Por outro lado, também é natural que essa exigência constante de companhia a deixe esgotada. Afinal, você é adulta. Antes de ter filhos as pessoas acreditam que vão adorar ficar todos os minutos do dia brincando, mimando o filho. Mas não é assim. Somos adultos e, por mais que os adoremos ainda assim precisamos ter momentos adultos. Então, com muita calma, vá estabelecendo limites. Ou seja, vai ser preciso ensinar a ele que tem horas com você e horas sem você, momentos de colo e momentos sem colo. Não espere, porém, que ele aceite alegremente os momentos “sem”. Claro! Ele é inteligente: prefere contato humano! No entanto, os limites são extremamente importantes. Então quando for a hora “sem colo”, isto é, o momento em que você tem que, por exemplo, preparar o jantar dele ou arrumar a cozinha, faça o que tem que fazer – mas não precisa excluí-lo. Você pode optar pelo cercado (alguns profissionais detestam, mas eu pessoalmente não vejo nada de errado com ele, desde que usado equilibradamente), deixando o Miguel próximo a você e visível. Coloque brinquedos e objetos de que ele gosta, para que se entretenha. E faça o que tem a fazer. De vez em quando converse, dê uma olhada, um sorriso. Mas não o pegue correndo se ele reclamar ou choramingar um pouco (ou muito, não se assuste). Se você for persistente e não demonstrar insegurança, raiva ou impaciência, aos poucos ele entenderá a regra. E aceitará. Mas leva semanas ou meses, porque provavelmente ele já está acostumado a ser atendido. Para aprofundar o assunto, sugiro que leia o capítulo 1, do meu livro Educar sem Culpa: Brincar com os filhos, uma obrigação dos pais?

Sou mãe dos gêmeos Bruno e Felipe e eles estão com 2 anos e 10 meses. Eles brigam muito, tudo é motivo para desentendimentos. Eles se mordem, arranham e falam que o outro é feio. Eles vão para a escola no período da manhã e ficam à tarde comigo. Fico a maior parte do tempo com eles para separar os desentendimentos. Eles sempre se morderam, mas cada dia está ficando pior. E vendo essa situação diariamente tenho ficado muito nervosa e sem paciência. O que posso fazer? Como agir? Flavia Duarte T.Z.: Irmãos costumam ter ciúmes uns dos outros, mas alguns são mais ciumentos e brigam muito - pela mesma razão. Além disso, dependendo da personalidade, podem ser bastante competitivos. Realmente, dá muita dor de cabeça... Você pode solucionar o problema de duas formas. 1ª.) Simples mente coloque um deles na creche no período da manhã e o outro à tarde – claro, se for possível dentro das suas condições de vida. Desta forma a convivência entre os dois será menor, o que pode fazer com que a competição também diminua. Também para você as coisas ficarão mais fáceis, porque poderá dar atenção a cada um separadamente; 2ª.) A outra opção, mais trabalhosa, é você continuar fazendo o que já faz: dar atenção e carinho, mas também, separar brigas e evitar “ataques” físicos. Como isso a deixa muito nervosa (o que é normal!), a tendência é que as brigas se intensifiquem, porque estando estressada, provavelmente você acabará brigando mais e agravando a situação – que, por si só, já é “quente”. Então, se for possível optar pela alternância de horários, faça isso. Caso contrário, persista no seu trabalho, porém procure contratar uma “ajudante” que permita a você atender às necessidades de cada um separadamente. Por exemplo: enquanto um estiver no play com a babá, você fica brincando com o outro em casa – e vice-versa. De qualquer modo, em médio prazo, eles precisarão aprender a conviver civilizadamente, mas no momento, com menos horas de contato, será mais fácil acalmá-los - e se manter calma, o que é essencial. Por outro lado, daqui a dois anos mais ou menos eles estarão mais maduros para suportar melhor regras e limites de forma a impedir que essa incipiente competição acabe por afastá-los de vez. E aí você poderá colocá-los de novo no mesmo horário ou turno – mas não na mesma turma.

Minha filha está com um ano e cinco meses. E agora começa a bater a dúvida: Como devo chamar os seus órgãos genitais? Que nomes devo ensinar para ela? O que é mais adequado? Elisangela Silva
T.Z.: Na verdade, o “nome” afetivo que se dê para a vagina ou o pênis não é tão importante quanto a forma pela qual se age e se encara esses órgãos. Se forem vistos com a mesma naturalidade que se tem em relação aos olhos e outras partes do corpo, tudo bem. Se, no entanto, quem lida com a criança sente vergonha e tem tabus em relação a eles, independentemente dos apelidos que lhes dêem, provavelmente serão vistos como órgãos problemáticos ou de que se deva desconfiar. Ensine sua filha a se cuidar e a se respeitar fisicamente, desenvolvendo hábitos de higiene e cuidados preventivos tanto dos dentes, cabelos, mãos, unhas como dos genitais. E também com a mesma atitude natural - independentemente de que parte do corpo seja. Quanto ao apelido, escolha o que mais lhe agradar. De preferência escolha um apenas. Afinal pé é pé, cabelo é cabelo, por que seria diferente em relação aos genitais?
Beijos, Nelinha{#}
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