30 de mar de 2013

Gravidez Na Adolescência – Orientar É A Melhor Prevenção


A adolescência é uma fase em que os jovens não se sentem mais crianças e ainda não são adultos. O corpo está passando por intensas transformaçoes. Fisicamente já são capazes de engravidar, mas emocionalmente não estão maduros para serem pais e mães. Isso porque eles ainda não têm claro seus projetos de vida para o futuro, muitos não se sentem responsáveis pelo rumo de sua própria vida e ainda são muito dependentes dos pais. Por outro lado, os adolescentes têm muita curiosidade a respeito de tudo, inclusive de sexo. Estão em contato a todo instante com cenas de sexo na televisão, cinema e nas conversas com amigos. Isso os deixa confusos e com vontade de colocar em prática o que vêem e escutam. Tudo isso leva os adolescentes a iniciarem a atividade sexual cada vez mais cedo. E, por desconhecerem o funcionamento do seu corpo, acabam engravidando.
A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA tem sido motivo de grande preocupação para a Pastoral da Criança e para toda a sociedade. Isso porque traz sérias conseqüências tanto para o adolescente como para seus pais e para toda a comunidade. Dados do Ministério da Saúde mostram que 1 em cada 10 mulheres brasileiras de até 19 anos já tem 2 filhos. No país, está diminuindo o número de gravidez em mulheres adultas e aumentando entre as adolescentes. Entre 1993 e 1998, aumentaram em 31% os partos em meninas entre 10 e 14 anos e em 19% nas meninas entre 15 e 19 anos atendidas pelo SUS. Nas visitas domiciliares, os líderes da Pastoral da Criança têm encontrado muitas adolescentes grávidas, acompanhando de perto as dificuldades e os riscos que essas jovens mães enfrentam.
QUAIS SÃO OS RISCOS DA GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA?
Algumas adolescentes escondem a gravidez por medo da reação dos pais, familiares e amigos. Como sabemos, a gravidez é uma fase que requer cuidados e acompanhamento de pré-natal. Se a adolescente decide fazer um aborto, além de estar cometendo um crime do ponto de vista cristão, os riscos para sua saúde são ainda maiores. Além de perder o bebê, a mãe pode perder também a própria vida. O aborto provocado também pode trazer problemas como infecções, hemorragias e até esterilidade. Depois de um aborto, a jovem pode ter dificuldade para engravidar. Tudo isso sem contar o sentimento de culpa que poderá carregar por toda a vida. Muitas vezes, a união com o pai da criança parece ser a solução ideal. Assim, alguns jovens acabam se casando e assumindo uma série de obrigações e responsabilidades que o jovem casal não estava preparado para assumir. Assim, há mais possibilidades de acontecer uma separação. Quando a jovem adolescente é abandonada pelo parceiro e este não reconhece a paternidade, resta aos pais dela assumir a criação e educação dessa criança. Nesses casos a jovem deixa de se sentir responsável pelos cuidados com o bebê, correndo o risco de engravidar de novo, do mesmo ou de outro parceiro. A gravidez indesejada na adolescência é vivida pela jovem como um período de muitas perdas. Ela deixa de viver sua juventude, interrompendo seus estudos, abandonando o sonho da formação pro fissional e seus projetos de vida. Por causa dessa nova responsabilidade, pode afastar-se dos amigos, perder a confiança e o apoio da família, que muitas vezes expulsa e abandona a jovem à sua própria sorte. Quando a jovem se sente abandonada pela família e comunidade pode até cair na prostituidão.
Por tudo isso, podemos ver que a adolescência não é o melhor momento para a maternidade
COMO AJUDAR A FAMÍLIA E A ADOLESCENTE QUE ESTÁ GRÁVIDA? Além de encaminhar a gestante adolescente para o pré-natal e acompanhar mês a mês essa jovem, o líder da Pastoral da Criança deve aproveitar as visitas domiciliares para orientar a família sobre a importância do apoio e compreensão, para que a adolescente viva esse momento com responsabilidade e amor.
COMO OS PAIS PODEM AJUDAR A PREVENIR A GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA? Se desde cedo os pais conversarem com a criança, respondendo o que ela pergunta e respeitando a curiosidade sem violência e sem críticas, estarão criando um canal aberto de comunicação. Isso vai facilitar as conversas dos pais com os filhos adolescentes, fazendo com que os jovens se sintam mais seguros, amados e respeitados. Quanto mais o adolescente gostar de si mesmo e se cuidar, menor é o risco de uma gravidez nessa fase.
Através do diálogo e do relacionamento amigo com seus filhos, os pais vão orientando os adolescentes sobre a importância de iniciar o relacionamento sexual quando estiverem mais preparados para assumir uma relação madura e responsável. Quando o adolescente se sente feliz e confiante na família, pode adiar o início da atividade sexual. Para que isso ocorra, é preciso que seus pais criem, desde cedo, um ambiente de respeito e amor. Assim, o adolescente vai desenvolvendo uma boa imagem de si mesmo e do mundo. Isso vai ajudá-lo a cuidar melhor de si e a se preservar, para que possa concretizar seus projetos de vida com respeito e responsabilidade. Um filho não pode ser fruto de uma atitude impensada. Precisa ser planejado, ser fruto de um projeto de vida. Quando os pais têm um bom relacionamento e engravidam porque desejaram, o bebê tem mais chances de se desenvolver saudável e feliz.
08/02/2013*

Vim, vi, cliquei
O ano é de 2047, e o pequeno João, 3 anos, pede à mãe: “Mostra de novo quando eu apareci...”. A mãe levanta a manga da blusa e toca numa pulseira roxa e, no mesmo instante, aparece uma tela translúcida na frente dos dois. João rapidamente localiza uma imagem dentro de um quadrado e, com um sorriso no rosto, clica o ar. Então, começa a passar um filme de um espermatozoide ganhando a corrida da vida e mergulhando no grande prêmio, o óvulo! “Sou eu, sou eu”, grita o menino. “Sim, você apareceu na nossa vida nesse instante”, diz a mãe, emocionada.
João não se contenta só com aquela cena, quer mais e mais. Os filmes são inter mináveis, todas as fases da gestação, o parto, a amamentação, arrotos, balbucios, papinhas, palavras, engatinhadas, penico, etc. O menino não aguenta e, depois de duas horas, adormece; ele precisaria ficar uma semana inteira acordado para ver toda a sua vida longa de 3 anos.
Esse exercício de futurologia nasceu de uma percepção cada vez maior de como estamos registrando tudo! Andamos sempre com uma máquina fotográfica ou um celular no bolso, prontos para capturar a vida.
Nossos filhos nunca foram tão registrados, gravados, arquivados, twitados, facebookados. Começamos a ver o mundo através de um mediador, uma tela de poucas polegadas que grava, mas não sente. Registramos com intuito de postar, isto é, não vivemos verdadeiramente o que captamos, queremos capturar para os outros verem, com isso não nos damos conta da nossa cegueira infligida. Preocupamo-nos com o foco, o som, o enquadramento, o zoom... e não com o sujeito que está sendo registrado.
Sim, tenho máquina digital, celular que tira fotos, mas sempre procuro me controlar quando experimento emoções na minha vida para não sair capturando imagens. Quero aproveitar a sensação de ver minhas filhas dançando nas festas juninas, quero usar meus olhos para ver um pôr do sol multi colorido no rio Negro! Por que capturar tudo? Por que não deixar buracos no registro que fazemos dos nossos filhos? Por que temos de inundá-los com memórias digitais? O esquecimento é uma dádiva divina, é tão importante esquecer como lembrar. Nossa sociedade é paradoxal, quer se lembrar de tudo filmando tudo, ao mesmo tempo se esquece de coisas fundamentais: brincar com os filhos, sensibilizar-se com as injustiças, brigar por um mundo menos violento, etc.
Há alguns anos, visitando a igreja de São Marcos, em Veneza, descobri no teto uma sequência de iluminuras contando a história bíblica de José e seu manto colorido. Fiquei fascinado com aquilo, as pinturas colocavam roupas medievais nessa antiga história do velho testamento. Chamei minha esposa para com partilhar minha descoberta e comecei a contar pra ela a narrativa daquele homem que acreditava como ninguém no poder dos sonhos. Depois de alguns instantes, um pequeno grupo se juntou a nós, observavam que eu apontava para o teto e falava. Não deu outra, miraram suas máquinas, começaram a disparar flashes e foram embora. Sempre tive a curiosidade de saber o que aquelas pessoas falariam quando vissem essas fotos nos seus computadores.
Da próxima vez que seus filhos estiverem realizando algo que toque você, emocione, filme um pouco, mas deixe um bom tempo para seus olhos, seu corpo inteiro, apreciar a maravilha da experiência real, memorize-a na sua retina, grave no seu coração. Posso afirmar que não há tecnologia na face da Terra que transmitirá o que o você acabou de verdadeiramente capturar.29/09/2012*
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